segunda-feira, 6 de julho de 2020

Hipocrisia: falta de caráter ou de autocrítica?

Uma coisa que me questiono há tempos mas que nessa fase de pandemia tem gritado em minha cabeça: as pessoas percebem que estão sendo hipócritas?

Isso é algo que me questiono porém a temática sempre foi outra - a militância.

Apenas para contextualização, eu tento sempre aprender sobre tudo um pouco e sempre ver os dois lados de uma mesma questão. Por exemplo, hoje descobri o termo "frequência afetiva" e descobri que a minha é baixa. Fui atrás da informação e descobri que isso é algo comum e que está tudo bem ser assim. No entanto, enquanto buscava por textos que reforçassem o quão normal era ser assim, me deparei com um que dizia que esse termo é apenas uma mentira para justificar a falta de interesse das pessoas umas nas outras. Não concordo, porém achei interessante ler de alguém que está do outro lado da situação como é conviver com isso.

Dito isso, gostaria apenas de reforçar meus motivos para não ser uma militante e justificar os porquês de eu ficar observando a militância. Acho de extrema importância, porém penso que a necessidade extrema de militar faz com que as pessoas percam um pouco da autocrítica. Existe uma necessidade tão grande em se posicionar fervorosamente sobre algo, que esquecemos de reparar que muitas de nossas atitudes são exatamente iguais àquelas que tanto tentamos combater.

Acho que o principal passo para você lutar contra o machismo, por exemplo, é você reconhecer que, por vivermos em uma sociedade patriarcal, todos nós somos machistas, independente do nosso gênero ou de nosso engajamento nas lutas feministas. Mas reconhecer não significa apenas abrir a boca e proferir essas palavras, e sim observar nossas atitudes e notar nelas a presença do machismo estrutural. E isso é algo que não tenho visto acontecer...

Agora voltando ao assunto pandemia, a questão é a mesma. Tenho visto muitas pessoas postando nas redes sociais: "fiquem em casa", "se eu te vir na rua vou te expor", "parece que só eu to de quarentena", "nossa, meu vizinho tá dando festa na casa dele"... mas as mesmas pessoas que bradam essas frases têm ido passear na praça sem máscara pra tirar foto com a filha que chegou do exterior, têm ido à casa de um amigo, têm ido de madrugada passear na rua com a namorada, tem ido ao motel com algum casinho. E aí?

O isolamento social consiste em ficar na sua residência na companhia daqueles com os quais há o convívio domiciliar. Se a pessoa mora sozinha, deve ficar sozinha. Não importa se sua mãe mora na casa ao lado. Se mora com os pais, deve ficar com eles, e não na casa do amigo. Não importa se é com uma ou com dez pessoas, a pessoa está furando a quarentena! Então não adianta nada querer denunciar o vizinho, se a pessoa está saindo de casa pra encontrar outrem.

E é depois de observar isso acontecendo todos os dias, com inúmeras pessoas que eu comecei a me questionar: essas pessoas sabem que estão sendo hipócritas? Ou elas realmente acham que elas estão certas e os outros errados?

Enfim...

terça-feira, 23 de junho de 2020

Menstruar

Eu não gosto de menstruar, mas como é algo que eu não tenho como evitar, a mim me cabe aceitar, entender e conviver da forma mais pacífica possível.
O sangue menstrual não é sujo. É a purificação.
Não sou dessas ~místicas~ num geral, mas confesso que quando penso nas coisas como uma questão cíclica e divina, passo a entender e a me sentir mais alegre e mais conectado com o todo.
Com a menstruação não é diferente. Eu sempre achei bonito o sangue escorrendo mas nunca tive fluxo pra isso. Hoje mudei meu método de coleta e posso ver esse sangue fluir em maior quantidade e confesso que me apaixono a cada banho. Passo o dia estressada com o fluxo, a sensação dele descendo pelo meu canal vaginal, o sangue no papel higiênico todas as vezes em que preciso ir ao banheiro. Mas quando entro no banho e vejo aquele vermelho vivo escorrendo pelo chão, eu me emociono. Parece banal, e quando eu vejo com meus olhos preconceituosos eu me envergonho, mas eu gosto demais dessa visão. Eu gosto dessa conexão, eu gosto de imaginar como a natureza é perfeita em todas as suas formas e fico ali, olhando aquele sangue correr com um sorriso no rosto, agradecendo por poder vivenciar essa experiência naquele momento (naquele momento mesmo, uma vez que assim que eu me secar e vestir o stress retorna, rs).

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Revelação (O que viria depois?)


O que eu queria dizer é que, de alguma maneira, uma luz permanece acesa dentro de mim. Penso há dias no que vou te dizer - e em como vou dizer - sobre tudo aquilo que, até então, eu não havia notado. Como tudo começou e como tudo se esvaiu, sem que o fim se concretizasse. Eu gostaria de dizer, ainda que apenas mentalmente, que eu te amei e que eu tive medo. Eu tive medo de ir em frente, medo de te falar [...]. Esse medo deixou no cantinho um sentimento que insiste em ficar; um sentimento que, não importa quanto tempo passe e quantas pessoas percorram meus caminhos, fica ali, me martelando, me apertando, como se quisesse o tempo todo que eu me recordasse e não seguisse em frente [sem te contar].

Hoje estou aqui, da maneira mais poética e em um esforço colossal, pra falar do que eu senti sem parecer vulnerável nem entregar de bandeja meus sentimentos irreveláveis.

Eu gostaria de dizer que eu te amei mas não sabia que era amor; dizer que eu te quis sem [...]

[o texto inacabado de 16/05/2017. Sem conclusão. O que viria depois?]

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Infinito em um minuto



Tenho a sensação de que o tempo demora muito a passar.
Ontem pensei e percebi que ainda tenho muitos anos pela frente, muita coisa a ser vivida e isso me desespera.
Me pego às vezes pedindo com muita força e concentração para que algo aconteça e a vida chegue ao fim o mais rápido possível.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

A leveza do amor


Pra mim o amor não tem que ser leve, o amor é leve.

Se não é leve tem algo errado.

Acredito que o amor seja a união de todos os sentimentos bons que existem. Se tem algo no “amor” te chateando, é porque não é amor. Pode ser a união de vários sentimentos bons, mas tem algum no meio que tá afetando o conjunto. E é quando a gente não percebe essa falha que a gente torna um sentimento tão lindo e puro em algo tão doloroso e tão carregado de cobranças.
Usando como exemplo relacionamentos amorosos, eu acredito que uma das coisas que mais dificultam a plena felicidade de uma relação, é que a gente já entra num relacionamento cheio de expectativa: “ah, meu namorado tem que ir ao cinema comigo aos sábados. Às sextas nós cozinharemos juntos. Aos domingos iremos à casa dos meus avós comer bolo de fubá. Meu namorado vai amar andar de mãos dadas e vai dizer que me ama todos os dias ao acordar e antes de dormir, acompanhado de um beijinho na testa e um cafuné.” E ao viver a vida real você percebe que às vezes seu parceiro é um pouco mais frio, e que suas demonstrações de amor não são exatamente dizer que ama, beijar e fazer cafuné, mas te chamar pra caminhar, conversar sobre algo que vocês gostam muito. E aí você não consegue perceber que cada um tem seu jeito de demonstrar o amor e acha que a pessoa não te ama, ou que ela é insensível. Creio que isso possa ser um gatilho pro despertar, quando você sabe que o amor é leveza e a coisa ta pesada, reflita sobre o assunto. Minha mãe me educou dizendo: quando a situação tá ruim e, mesmo falando com a pessoa a situação não se resolve, pare você pra analisar suas atitudes, porque às vezes o problema está em ti. Não quero incentivar ninguém a mudar, perceba: estou em um relacionamento, meu namorado não atende às minhas expectativas então eu vou me moldar a ele. NÃO, jamais! Você precisa ser feliz. E ser feliz significa ser feliz consigo mesma. Se você está triste porque seu namorado não é quem você queria que fosse, é porque você não esta conseguindo ser feliz sozinha, então se escora no outro como se ele fosse sua bengala da felicidade. Você precisa parar para pensar, e só quando você perceber que o outro está com você pra compartilhar momentos e não dividir nem te fazer feliz é que você vai sentir a leveza do amor. Agora, se você refletir bastante e vir que ainda assim não consegue ser feliz, então saia dessa! Não adianta a gente descobrir o que é o amor de fato se o outro não quer souber e nem quiser saber. O amor não é sacrifício, é compartilhamento. Por isso devemos descobrir que ninguém é responsável pela nossa felicidade, só nós.

Eu acredito que ninguém veio ao mundo pra fazer alguém feliz. Viemos ao mundo para ser feliz e distribuir amor. Se não estamos aqui pra fazer alguém feliz, então a gente não tem que se prender a relacionamentos desgastantes. Atualmente os mais antigos estão numa vibe de falar que “hoje em dia tudo é efêmero”. E é. E é pra ser. No passado se acreditava muito que relacionamentos deveriam durar pra sempre e a gente vê casais de idosos hoje em dia e acha lindo, mas nem imagina o quanto um dos parceiros teve que abrir mão de si e se submeter a tantas manifestações egoicas pra poder se manter nesse relacionamento “feliz”. A gente viveu e ainda vive – mas espero que não por muito tempo – uma época em que a gente se acostuma a viver o desamor como se estivesse tudo bem. E aí a volta das expectativas: “o homem manda e a mulher obedece. Isso é felicidade e a receita pra um relacionamento feliz? Ok.” E então já não sabemos mais o que é felicidade.

Enfim, como sempre um texto sem meio nem fim, sem conclusão, só ideias soltas, mas um desabafo do que eu acredito que seja o mal das relações humanas: a expectativa e a má interpretação do sentimento amor.